
Foto copiada do site pe30graus da Rede Globo – mais precisamente da Rede Globo Nordeste – (www.pe360graus.com)
Choro da Cidadania!
Amigos leitores, eu estou escrevendo este texto direto, sem parágrafo, porque acho que o assunto que vou tratar será melhor de ser entendido sem o mesmo. Pois bem, eu não entendo muito de legislação trabalhista nem bastante de questões contratuais, mas o caso do jogador de futebol Romerito que atuou pelo Sport Clube Recife, entre o primeiro semestre de 2007 e o primeiro de 2008, é no mínimo para a gente fazer uma reflexão sobre a situação contratual do emprego hoje em dia, especialmente, nos gramados. Romerito foi o destaque do rubro-negro no último Campeonato Pernambucano, inclusive levando o troféu de Craque do Campeonato Pernambucano de 2008 (Troféu Lance Final, prêmio da Rede Globo Nordeste concedido ao melhor atleta dos gramados). O jogador tinha até então contrato com o Goiás até o final de 2008. O Sport o contratou por empréstimo até o dia 30 de maio. Como o empréstimo dele terminou e o Goiás precisava de reforços de qualidade, o time goiano o chamou de volta e não quis saber de renovar ou alongar o empréstimo do jogador. Até aí, tudo bem! É um direito legítimo do Goiás. Porém, o jogador não queria voltar para o clube goiano e desejava continuar trabalhando na Ilha do Retiro (sede do Sport). Aí eu pergunto: Será que é justo você ser obrigado a trabalhar onde não queres? Não seria mais prudente e inteligente o clube goiano aceitar a renovação de empréstimo uma vez que um profissional desmotivado não renderia tanto (mesmo inconscientemente, já que, no fundo, a cabeça dele estaria em outro clube) e possibilitaria possível(eis) prejuízo(s)? São algumas reflexões a se fazer ou que deveriam se fazer. Se o Goiás renovasse o empréstimo não perderia dinheiro nem teria possibilidade de ter um jogador desmotivado no grupo, apesar de todo e verdadeiro profissionalismo de Romerito. Isso, lógico, é uma observação pessoal! Apesar de todas as reflexões sobre democracia e se ela é realmente aplicada em sua totalidade, no Brasil, oficialmente vivemos numa sociedade democrática que tem que se respeitar os contratos justamente para que ela se torne cada vez mais justa e para que seus habitantes se sintam mais cidadãos. E democracia é princípio motivador da cidadania! Isso é fato. Porém, alguns dos princípios do trabalho são que em ambas as partes (empregado e empregador) existam harmonia e vontade de desenvolver a atividade. No futebol, principalmente, parece que a democracia é posta de lado, mesmo com a Lei Pelé. O jogador, por contrato, é preso (direitos federativos) ora aos empresários ora aos clubes. Estes, por exemplo, se não quiserem emprestar o jogador não fazem o negócio, mesmo contra a vontade do jogador. Já o inverso quase impossível de acontecer. A palavra final é sempre dos clubes ou empresários. Não ocorre democracia nem na forma de pensar. O jogador, por muitas vezes, é taxado de ignorante e sem consciência social, não só pela origem de realidade desfavorável e humilde da maioria, como também do pensamento retrógrado de que o atleta só tem que pensar em jogar futebol. A Fifa, por exemplo, já proibiu manifestação de pensamento em campo. Por tudo isso: é justa a saída de Romerito do Sport, mesmo sendo legal a requisição do atleta pelo Goiás? Qual seria a solução para que novas situações como essa não acontecesse? O Sport errou em não ter procurado aumentar o período do contrato de Romerito no início de 2008? Nesta última questão, eu não tenho dúvida: o Sport errou feio. Se o “Leão” tivesse sido mais prudente Romerito permaneceria na “Ilha” por mais tempo. O Goiás também foi errado por agir de forma autoritária (num país democrático), apesar de legal, por não respeitar à vontade cidadã de Romerito de continuar trabalhando no Sport, no ambiente que o atleta deseja.
Texto de Eduardo Maia, jornalista (DRT-PE: 3.444) – 31.05.2008 (atualizado em 09.06.2009)
Texto de Eduardo Maia, jornalista (DRT-PE: 3.444) – 31.05.2008 (atualizado em 09.06.2009)
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